FIAÇÃO POR PROCESSO "SHORT SPINNING"


A expressão “short spinning”, ou “fiação curta”, define um processo que se contrapõe ao tradicional “long spinning”, ou “fiação longa”.

Enquanto a fiação longa prescindia de um edifício de no mínimo 3 andares para fazer a extrusão dos termo-polímeros (náilon, poliéster, polipropileno), a nova tecnologia concentra, num processo compacto, todas as fases da extrusão para a produção de uma  fibra sintética em um equipamento de apenas 5 a 6 metros de altura, e que ocupa não mais do que setenta metros quadrados.

As principais características da linha são: 

  • Sistema de alimentação do polímero com secagem e cristalização anexa (caso do poliéster ou náilon).

  • Sistema de dosagem de polímero neutro e “masterbatchs” (polímero altamente pigmentado) para tingimento em massa do fio

  • Sistema de termo-fusão, com extrusora mono ou dupla rosca, com termo regulagem das temperaturas por fase de fusão.

  • Cabeça de extrusão dotada de bombas dosadoras de fiação,  e fieiras, em de acordo ao tipo e título do fio produzido.

  • Câmera de solidificação dos extrudados através de fluxo laminar de ar gelado, com temperatura  e fluxos controlados.

  • Sistema de lubrificação dos fios com dosadores de ensimagem.

  • Sistemas de tangleamento com jato de ar.

  • Sistema de crimpagem para fios usados na produção de tapetes e carpetes, conhecido como BCF, de Bulk Continuous Filament.

  • Conjunto de godês de estiro para orientação molecular dos fios com mono, bi ou tri-fase de estiro e fiação

  • Bobinadoras de enrolamento cruzado, com velocidade de bobinagem de até seis mil metros por minuto, para fios POY (filamento parcialmente orientado) e FDY (filamento totalmente orientado)

  • Sistema de recolhimento em mexas para serem cortadas ou craqueadas em fibras curtas, para processos de fiação de anel e rotor, ou outras aplicações.

  • Administração da linha através de um micro-computador, que controla desde a dosagem dos insumos, passando pelos parâmetros do processo, segundo a matéria-prima utilizada, até as velocidades de recolhimento das bobinadoras. 

A oferta de polímeros termo-plásticos virgens, disponibilizados no mercado mundial por grandes empresas, teve início com o polipropileno. Mais recentemente, com o crescimento da conscientização ecológica, surge a possibilidade de se produzir fio de poliéster a partir de embalagens PET (polietileno tereftalato) recicladas, matéria-prima esta disponível em grande quantidade e a baixo custo, o que alavancou o desenvolvimento deste tipo de processo de extrusão.

O “Short Spinning” e a disponibilidade de polímeros possibilitaram a um pequeno produtor de têxteis, como por exemplo, uma tecelagem ou malharia com consumos a partir de 40/50 toneladas mês, produzir seu próprio fio de náilon, poliéster ou polipropileno com um baixo investimento, se comparado ao processo de fiação tradicional, alta flexibilidade e baixa absorção de mão de obra.