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Cordas de escalada

Originalmente feitas de algodão, sisal ou cânhamo, e de construção torcida, as cordas eram os únicos dispositivos de segurança, quando ainda não existiam cintos, grampos e mosquetões. Até o advento das fibras químicas sintéticas, no início da década de 50, as cordas apresentavam pouca resistência as condições de uso (umidade, raios solares, fricção, abrasão,...), ao fator queda (altura da queda dividida pelo comprimento total da corda entre o escalador e a ancoragem) e um difícil manuseio (facilidade em se dar nós).

Dentre os polímeros que surgiram na década de 50, um em especial, a poliamida, cujo nome comercial dado pela DuPont foi náilon (hoje seu nome técnico) se destacou das demais. Sua resistência à abrasão, excelente capacidade de absorção a choques e ponto de fusão relativamente elevado, aliada a uma nova construção, o trançado tubular, fez surgir as cordas de escalada dinâmicas e estáticas hoje disponíveis no mercado. Nas cordas estáticas a alma é composta de filamentos paralelos (fig.1), dando-lhe a elasticidade natural do náilon - 1 a 2% ao peso médio de uma pessoa. Já nas cordas dinâmicas, a alma é composta por um conjunto de cordas torcidas (fig.2) ou trançadas (trançado duplo) , e este é o segredo para a absorção de choques, com a elasticidade de cerca de 6 a 10% ao peso de uma pessoa normal.

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Fig.1

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Fig.2

Uma vez que você comece a escalar, saindo do chão você vai precisar de uma linha de segurança que o previna de quedas e lesões. Esta linha de segurança normalmente é composta de uma corda de escalada, fitas e mosquetões (ganchos metálicos que ligam o seu cinto à sua corda e a sua corda à rocha que está escalando).

Antes de adquirir o seu material, certifique-se que este esteja homologado pela UIAA Union Internationale des Assosiations d'Alpinime ou siga normas CE (Comunidade Européia). O selo da UIAA, ou CE, garante que o equipamento escolhido foi construido e testado segundo as especificações da norma, assegurando a confiabilidade no equipamento que pode lhe salvar a vida, desde que usado dentro dos critérios estabelecidos.

No caso das cordas dinâmicas de escalada, estas deverão estar sob as especificações da norma européia EN 892, aprovada pela "Commissão de Equipamentos e Artigos Esportivos e Recreativos" em 18 de abril de 1996. A norma define, em seu parágrafo 4, os requisitos de segurança da corda, através de procedimentos defator.jpg (19181 bytes) construção, da razão nodal K, do deslocamento da capa, do alongamento, do grau de choque e do número de quedas. Os testes mais importantes são o do grau de choque, que define quanto da energia cinética ganha na queda será transferida para o escalador e para as demais peças de proteção, e o de número de quedas. Uma corda aprovada deve suportar a no mínimo cinco quedas de fator igual a 2, ou seja, o mais crítico. Hoje já existem no mercado cordas que suportam de 8 a 12 quedas no fator 2. O fator queda é a razão da altura da queda (h) pelo comprimento da corda liberada (l). F = h/l. Quando caímos 10 metros com 5 m de corda temos um fator 2. Caindo-se 10 m com 10 m de corda liberada temos um fator 1. Atenção mesmo caindo-se de pouca altura pode-se conseguir um fator 2.

Para cordas estáticas, a norma que trata das especificações de construção e testes é a de número EN 1891.

O seu parceiro de escalada tem um papel crucial no sistema de segurança. A função dele é manejar a corda de escalada enquanto você escala e limitar o quanto você vai despencar se você escorregar. Ele é chamado "segurança". Um equipamento especial, chamado freio, oito ou descensor ajuda o segurança a frear e controlar a velocidade de uma queda.


Esclarecimentos sobre cordas, suas aplicações e cuidados. Abaixo seguem algumas informações:

Regra obrigatória, ainda que a corda não tenha um selo da UIAA ou CE, é a denominação destas. Mesmo promovendo testes sob a égide da UIAA, muitos produtores de cordas executam seus próprios testes, na tentativa de melhorar e ampliar os padrões já existentes. Alguns testes, como o da abrasão da capa e de absorção de água, provaram ser muitos úteis ao consumidor, ainda que, infelizmente, apenas alguns poucos produtores dêem estas especificações. Parece razoável raciocinar que quanto maior o número de especificações dadas, tanto maior é a confiança que o produtor têm em suas cordas.

Até o presente momento a UIAA determina apenas que as cordas sejam designadas como solteiras ou duplas (agrupamento de cordas sub-9 mm com cordas de 9 mm). Alguns produtores, e a norma EN 892, fazem referência a cordas gêmeas, na tentativa de informar ao consumidor a sua diferente aplicação. Seria útil à UIAA adotar esta terceira designação (corda gêmea).

Técnicas com cordas Simples, Dupla ou Gêmea

As três principais técnicas usadas em escalada hoje são: corda simples, dupla e gêmea. Todas têm aplicações diferentes, algumas de sobreposição, algumas não.

Técnica de corda simples

Definição: corda dinâmica para escalada que, usada sozinha, está capacitada, como coligação na linha de segurança, a suportar a queda livre de uma pessoa

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single.gif (1042 bytes)As cordas simples são usadas com grande eficácia, particularmente na Europa e nos Estados Unidos, quando a maior parte da rota tende a ser retilínea com pequenas variações de percurso.

Escaladores iniciantes e intermediários tradicionalmente usam cordas de 11 mm, normalmente por razões econômicas, e na crença de que estas cordas tenha uma vida mais longa.

Se sub-entende que o novato não irá escalar rotas que sejam difíceis de serem achadas, o que acarretaria o arraste da corda. Na verdade isto é falso, uma vez que muitas das rotas clássicas apresentam variantes.

 

Técnica da corda dupla

Definição: corda dinâmica para escalada que, usada dupla, está capacitada, como coligação na linha de segurança, a suportar a queda livre de uma pessoa

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A técnica da corda dupla é mais comumente usada na Inglaterra, aonde um grande número de rotas tem linhas complicadas, o que resultaria num grande arraste da corda se se utilizasse uma corda solteira. A proteção é clipada alternadamente, ou sequencialmente, dependendo da linha da rota, na tentativa de otimizar o livre correr da corda. A corda dupla apresenta vantagens consideráveis sobre a solteira no rappel e no prover retaguarda, caso uma das cordas seja cortada (emergências)

As desvantagens incluem o peso extra, custo e manuseio mais complicado na costura.

 

Técnica da corda gêmea

Definição: corda dinâmica para escalada que, usada junta e em paralelo, está capacitada, como coligação na linha de segurança, a suportar a queda livre de uma pessoa

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Cordas gêmeas tem ocasionado uma grande inquietação, uma vez que algumas vezes são usadas como cordas duplas, o que pode ser perigoso.

A técnica de cordas gêmeas, usando cordas abaixo de Ø 9 mm, pressupõe que ambas as cordas sejam usadas como uma. Por exemplo, ambas as cordas passam através de um mesmo mosquetão. É melhor para a corda, e para o mosquetão, se cada costura tenha um mosquetão para cada corda. Somente após se ter passado a corda, e as costuras colocadas (o que reduz o fator queda, que é a altura da queda dividida pelo comprimento total da corda entre o escalador e a costura), poderá ser seguro passar as cordas alternadamente.

Se as cordas gêmeas forem usadas corretamente, estas têm consideráveis vantagens, como um manuseo mais simples e maior capacidade de absorver a queda. Isto pôde ser demonstrado em um teste independente, realizado pela Universidade de Stuttgart, (encomendado pela DAV) aonde cordas de diferentes diâmetros, de 2 a 10 mm (10 mm sendo o diâmetro de um mosquetão), foram exaustivamente testadas. Os resultados mostraram que todas as cordas testadas sobrepuseram em muito os padrões estabelecidos pela UIAA.

 

Escalada ancorada em cima (top rope)

A escalada ancorada em cima (top rope) involve ancorar a sua corda de escalada em um ponto acima do seu, e então atingí-lo, enquanto o seu segurança mantém a corda relativamente retesada. Ancorando-se em um ponto firme, e  mantendo a corda retesada, você e o seu parceiro limitam a distância de queda se você escarregar da rocha. A escalada top rope é muito popular, uma vez que normalmente exige pouco equipamento e experiência, se comparada a outra técnicas de escalada com corda.

NOTA: se você vai se iniciar na prática de escaladas procure sempre um instrutor ou escalador mais experiente, para que este lhe sirva de segurança e lhe dê dicas, além de emprestar determinados equipamentos, tais como cordas, mosquetões, freios e luvas de rappel. Pegando emprestados estes equipamentos nas suas primeiras escaladas, será possível a você decidir que produtos se ajustam melhor ao seu estilo, antes de adquirir o seu próprio equipamento.

Material básiso para escalada top rope:

Sapatilha, corda, cinto, mosquetões, capacete, freio, luvas de rappel, giz/saco de giz e roupas para escalada.

Escalada Guiada - o próximo passo

Muitas vezes é impossível ancorar a sua corda a um ponto acima do seu, antes de iniciar a escalada. Quando isto acontece, voce deve limitar a ancoragem de sua corda à rocha, a distância que você cairá se escorregar. Toda vez que voce subir acima do seu ponto mais alto de ancoragem, você diz que está guiando a escalada.
Guiar uma escalada requer muita prática e habilidade, como requer também equipamento de escalada adicional.

Escalada Guiada Esportiva 

A escalada espotiva involve escalar rotas previamente ancoradas à rocha, aonde você pode ligar a sua corda. Quando  for escalar uma rota esportiva, você deve portar mosquetões especiais e fitas de náilon chamadas "malhas rápidas" que serão clipados a estas ancoras e conectados a sua corda de escalada.

Escalada Guiada Tradicional

Na escalada guiada não esportiva, você deve criar as suas próprias âncoras, na rocha que você irá escalar. Isto significa carregar equipamentos especiais chamados "entaladores" que voce deve cunhar dentro de fendas, gretas e frestas da rocha. Você deve também carregar os dispositivos mencionados nas outras técnicas de escalada para ligar a sua corda a estas âncoras temporárias

Uma corda para as suas necessidades

Uma das questões a ser respondida é qual a técnica que mais se adequa ao meu estilo de escalada. Você pode escolher esntre diversas combinações - para cordas solteiras de Ø 10 a 12 mm, de Ø 9 a 9,4 mm para cordas duplas e entre Ø 8,5 e 8,8 mm para cordas gêmeas. O diâmetro de 10,5 mm é o que recentemente tem se mostrado mais popular, uma vez que é robusto o bastante para ser usado como uma corda solteira e ainda leve o suficiente para ser usada na técnica da corda dupla.

Cordas gêmeas são uma escolha mais difícil, uma vez que as bitolas variam de fabricante para fabricante. Como princípio geral, maior é o diâmetro, mais resistente é a corda, o que coloca o consumidor diante de um dilema pela simples razão que a aquisição de cordas gêmeas se dá pela sua leveza.

O comprimento é uma consideração importante, apesar de muitos manuais ainda indicarem 45 metros, é preferível uma corda de 50 metros. Se pensamos em progredir de pequenos rochedos para áreas montanhosas e/ou rotas longas, os 5 metros extras, apesar dos 350 gramas (aprox.) de peso adicionais, provam ser de inestimável valor. For example a leader falling near the end of a pitch has more usable rope, better belays can be reached on long pitches and there's more room to manoeuvre on abseils. For these reasons the climber should oonsider 50 metres.

Outra decisão importante é comprar ou não uma corda "sempre seca". Cordas que não absorvem água são insubstituíveis para escaladas em neve ou gelo uma vez que cordas normais facilmente ficam saturadas e pesadas, dificultando o manuseio através do freio e dispositivos de segurança, sem contar o aumento de fricção. Se a corda congelar, adicione-se uma considerável perda de resistência. O custo também é um grande obstáculo, podendo acrescer mais de 30% no preço.

Apesar do custo ser o mais importante fator para muitos escaladores, cordas são uma despesa bem feita, quando escolhida apropriadamente. Basta voce comparar com outros esportes que envolvem alta tecnologia para ver o quão pouco um escalador precisa gastar.

Escalando com segurança

Escalar oferece a grande oportunidade às pessoas de aproveitarem a liberdade e auto-determinação junto a natureza. Uma parte essencial desta liberdade é a aceitação dos riscos e perigos inerentes a escalada.
Exercitar bom julgamento e bom senso o ajudarão a reduzir estes riscos, como a escolha e uso correto do equipamento de escalada. Entretanto os riscos e perigos da escalada não podem ser completamente eliminados. Através da aquisição e uso do seu equipamento de escalada e pela participação em atividades de escalada, você deve aceitar pessoalmente a responsabilidade dos perigos inerentes envolvidos nesta atividade, incluindo danos físicos e eventualmente até a morte
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